
Ab initio, com o cenário mundial da pandemia do Coronavírus, desregulou o mercado de trabalho, afetando mais as mulheres. Diversos estabelecimentos tiveram que ser fechados e empresas faliram.
Por conseguinte, o mercado de trabalho ainda tem sentido os impactos negativos que a pandemia da Covid-19 gerou e um deles é o desemprego. O que causa espanto é o fato de ter gerado impacto maior para as mulheres: a inserção delas no mercado de trabalho, que já era difícil antes da pandemia, agora só está tendo mais complicações.
A participação da mulher no mercado de trabalho demonstra uma jornada de conquistas e lutas em prol dos seus direitos. Infelizmente, a nossa sociedade ainda possui uma cultura patriarcal, onde a mulher é vista como responsável integralmente pelos filhos e os afazeres domésticos. A constituição federal em seu artigo 5 deixa explícito o princípio da isonomia, ou seja, a igualdade entre homens e mulheres, mas na prática isso infelizmente não acontece integralmente.
Atualmente pode-se notar que as mulheres exercem os mesmos cargos dos homens, mas mesmo obtendo direitos ainda existem discriminações de gênero no âmbito trabalhista. Um exemplo disso é quantidade de mulheres que estão ficando desempregadas a mais que os homens.
Partindo dessa premissa, não há que se falar que a mulher é menos qualificada que o homem profissionalmente, pois ela pode desempenhar o mesmo trabalho que o sexo masculino.
Salienta-se que o Brasil é o pais que apresenta um dos maiores níveis de disparidade salarial onde as mulheres às vezes são submetidas a mesma jornada de trabalho e recebem bem menos que a mão de obra masculina. O que é preocupante é que muitas mulheres são mães solteiras e precisam de um emprego para sustentar seu lar. E como a pandemia de certa forma atingiu até quem possui uma condição financeira melhor, nem trabalhos como faxina estão sendo fáceis de encontrar.
Nesse sentido, outro problema, que é preciso colocar em pauta é que a mulher que possui filhos se deparou com o cenário de escolas e creches fechadas, devido a suspensão das aulas por conta do isolamento social. A maioria das mulheres, não possuem condição financeira para pagar alguma pessoa confiável para olhar seus filhos. Nesse cotejo, a pandemia provocou retrocessos para a mulher que lutava incondicionalmente para conquistar cada dia mais o mercado de trabalho.
Diana Gonzaga, professora da Faculdade de Economia da Universidade da Bahia (UFBA), comenta que:
Como ainda são atribuídas às mulheres boa parte das atividades domésticas, muitas que são mães e que não puderam trabalhar remotamente acabaram desistindo do emprego ou escolheram não retornar, entrando para a estatística do contingente de pessoas consideradas “fora da força de trabalho” (inativas).
Nesse diapasão, a mulher tem assumido tudo no âmbito doméstico, o que tem causado uma exaustão que pode acarretar crises de ansiedade e depressão.
Segundo pesquisa feita pelo o IBGE no terceiro trimestre de 2020, foram registrados no Brasil 8,5 milhões de mulheres desempregadas a menos na força de trabalho. E essas mulheres são as que perderam seus empregos devido ao alto índice de desemprego, bem como as mães que não tiveram nenhuma opção a não ser cuidar dos seus filhos e tiveram que trocar o âmbito laboral pelo doméstico.
Dessa forma, a mulher encontra-se em um panorama de onde precisa ser tirada, ela pede socorro. Sabe-se que a mulher deseja retornar ao mercado de trabalho e conquistar sua independência financeira, sem discriminações e sem uma sociedade de cultura patriarcal. E para que isso aconteça o empregador precisa conceder vagas no mercado de trabalho afim de receber essas mulheres que necessitam retornar para o âmbito laboral.
Referências:
TEÓFILO, Sarah. OLIVEIRA, Alexia. STRICKLAND, Fernanda. Crise da covid tira 6,6 milhões de mulheres do emprego. Correio Braziliense, 09 de jun. de 2021. Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2021/05/4923182-crise-da-covid-tira-66-milhoes-de-mulheres-do-emprego.html>. Acesso em: 08 fevereiro. 2022.
EXAUSTAS e desempregadas: a pandemia castiga mais as mulheres. Claudia Abril, 2 de fevereiro. de 2022. Disponível em: <https://claudia.abril.com.br/carreira/exaustao-desemprego-mulheres-pandemia/> Acesso em: 08 fevereiro. 2022.
A inserção das mulheres nos mercados de trabalho metropolitanos e a desigualdade nos rendimentos. Disponível em: http://www.dieese.org.br/analiseped/2013/2013pedmulhermet.pdf. Acesso em: 08 fevereiro. 2022.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2021]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao.htm. Acesso em: 08 fevereiro. 2022.
Isabela Ketry de Andrade Magalhães é graduanda em Direito no Centro Universitário UNA de Betim/MG. Ex-estagiária da 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil especializada em atendimento à mulher. Atualmente estagiária do Tribunal de Justiça de Minas Gerais no Fórum da Comarca de Betim, responsável pelas medidas protetivas.















