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Limerência: fenômeno sentimental

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Entenda como essa obsessão emocional pode afetar sua vida

Há alguns dias, ouvi um podcast que falava sobre a diferença entre amor e limerência. Rapidamente, enviei o link para duas amigas, que logo o ouviram e compartilharam suas opiniões. Uma disse: “Forte, profundo e necessário.” Já a outra comentou: “Mana, era tudo o que eu precisava ouvir.” Fiquei feliz por ter contribuído com elas, mas, dentro de mim, ainda havia uma confusão. Afinal, o que realmente é a limerência? Então, iniciei uma pesquisa.

Limerência nada mais é do que uma obsessão velada por um sentimento. É quando pensamos, idealizamos, sonhamos, nos enganamos e criamos uma imagem sobre algo ou alguém. Não acho que seja uma ilusão. Acredito que seja algo mais profundo. Sabe aquela amiga que tem hiperfoco em homem? Então, seria quase isso. Porém, objetos e experiências também entram nessa conta.

De acordo com uma matéria publicada pela BBC News em fevereiro de 2025, o estado de limerência faz com que a pessoa fixe a atenção apenas nas características positivas, ignorando quaisquer falhas e se apaixonando por essa imagem idealizada. O indivíduo confunde os sentimentos iniciais com amor romântico, passa a alimentar essa fantasia e começa a desejar intensamente ser correspondido, mesmo sem ter certeza dos sentimentos que vive. A situação pode ser excitante, divertida e prazerosa, principalmente se houver reciprocidade. Mas, se não houver, o que deveria ser apenas um desejo ou uma admiração pode se agravar, transformar-se em obsessão, gerar desconfortos e até levar à necessidade de ajuda terapêutica.

Mas o que me prendeu nesse assunto não foi a possibilidade da limerência por alguém. Foi a limerência pela vida. Sim, a obsessão que tenho criado pelo meu futuro. Esse carrossel de momentos que vai e vem, ora subindo, ora descendo, em um giro constante de acontecimentos completamente inexplicáveis. Parei para refletir se tudo o que tenho sonhado em fazer, daqui para frente, realmente é algo que desejo ou apenas um êxtase diante de possibilidades insanamente boas e prestigiadas. Resumindo: será que eu quero mesmo ou será que só estou idealizando um futuro que tem tudo para dar certo? Ou melhor: que tem tudo para dar errado. Diante disso, reflito diariamente e deixo a vida seguir seu curso natural, acreditando que, se for para acontecer, tudo se encaixará dentro dos meus esforços. Acho que, no amor, também é assim, né?

Gostaria de ter mais a dizer, mas não tenho, porque o intuito aqui é fazer você pensar junto comigo. É expor essa e outras angústias que vivem no meu peito. Não aceitarei ficar nesse limbo sozinha. Enfim, sigo em busca de respostas. Se quiser conversar sobre isso, meus dados estão no fim da página.

Agora, quanto ao amor. Bom, acho que tenho vivido dias bons e ruins com ele. Quanto mais entendo sobre a limerência, mais longe dela quero ficar, para que, um dia, sem perceber, o amor tranquilo possa bater novamente à minha porta, que, por via das dúvidas, sempre estará aberta.

 

 

 

Kemileyn Freire é jornalista formada pela PUC-Minas, ex-host do Gira Cast e dos quadros: Bora Lá, Curte Aí e Papo de Rua, no Gira Notícias. E-mail para contato: kemileynk@gmail.com. @kemileyn_freire.