
Nessa data, as bandeiras das repartições públicas do Estado irão permanecer hasteadas a meio mastro e será realizado um minuto de silêncio nos eventos oficiais
O dia 25 de janeiro ficou instituído como o Dia de Luto em Memória das Vítimas do Rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão. Hoje, dia vinte e cinco de janeiro de dois mil e vinte e dois (25/01/2022), se completa três anos do crime ambiental que ceifou 272 vidas.
Um espaço para que as histórias das 272 joias – como os familiares se referem aos entes perdidos – sejam lembradas está sendo construído em Brumadinho. A previsão é a de que o memorial fique pronto em 2023. A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão Brumadinho (Avabrum) selecionou o local e o projeto arquitetônico.
“O memorial traz uma marca. Para os familiares, será um local que contará a história do crime e um lugar daqueles que foram vitimados”, declarou Kenya Lamounier, membro da comissão fiscal da Avabrum. Ela perdeu o marido na tragédia.
No último domingo (23/1), as famílias que perderam seus entes puderam visitar as obras do memorial. O evento foi restrito somente aos membros do grupo familiar. Já nesta segunda-feira (24/1), a associação realizou uma roda de conversa e uma carreata pela cidade. E para finalizar as homenagem às vítimas, nesta terça-feira (25), data exata em que se completa os três anos da tragédia, um ato solene no letreiro de Brumadinho marcou o dia.
Em dezembro de 2020, a 264ª vítima foi identificada. Trata-se de Lecilda de Oliveira, com 49 anos à época da tragédia, ela era analista de operação da empresa Vale. Agora, restam seis joias a serem encontradas, veja abaixo.
Cristiane Antunes Campos
Luís Felipe Alves
Maria de Lurdes da Costa Bueno
Nathalia de Oliveira Porto Araújo
Olímpio Gomes Pinto
Tiago Tadeu Mendes da Silva
Operação de busca
A Operação Brumadinho é o maior trabalho de buscas do Brasil. Já foram vistoriados quase quatro milhões de metros cúbicos de rejeitos. Ao longo desses três anos, cerca de 4.200 militares participaram da operação.
A oitava estratégia de busca foi iniciada recentemente. Ela conta com estações de peneiras vibratórias e esteiras rolantes. Esses equipamentos ajudam a separar o material conforme o tamanho, permitindo uma inspeção mais rápida e efetiva. “Dessa forma, ficamos mais perto de localizar as seis joias ainda desaparecidas e entregar um pouco de alento e dignidade para as famílias que tanto sofrem”, garante o tenente do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara.
O Instituto Médico Legal André Roquette também continua com a força-tarefa, formada por dez peritos, para realizar a identificação das vítimas. Cerca de mil casos já foram examinados e 94% deles solucionados. Isso só foi possível devido ao uso de um método que analisa o DNA do material encontrado e ao empenho permanente dos técnicos da Polícia Civil.
A Operação Brumadinho permanece sem previsão de término. “É impossível reparar a dor da perda de cada ente querido, mas é nosso dever construir um futuro melhor. Temos atuado incansavelmente para garantir a reparação dos danos provocados”, afirmou o governador, Romeu Zema.
O Acordo Judicial de Reparação
Em fevereiro de 2021, foi homologado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais o Acordo Judicial de Reparação assinado entre o Governo de Minas, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale. Esse foi o maior acordo de medidas de reparação em termos financeiros e com participação do Poder Público já firmado na América Latina – e um dos maiores do mundo.
O documento visa reparar os danos decorrentes do rompimento das barragens da Vale S.A, que tirou 272 vidas e gerou uma série de impactos sociais, ambientais e econômicos na bacia do Rio Paraopeba e em todo o Estado de Minas Gerais.
A mineradora Vale terá que pagar à sociedade mineira R$ 37,68 bilhões. O Poder Público está trabalhando para que a empresa cumpra as obrigações previstas no cronograma. Já foram pagos R$ 18,2 bilhões, que incluem diferentes aplicações e formas de execução. Um exemplo é o depósito de R$ 4,4 bilhões em juízo, relativos ao Programa de Transferência de Renda, que é operacionalizado pela Fundação Getúlio Vargas.
Os valores previstos para implementação de projetos e ações pelo Estado somam R$11,06 bilhões. Destes já foram pagos pela Vale em juízo R$ 4,4 bilhões, sendo que R$ 3,3 bilhões já foram transferidos ao Tesouro Estadual e o restante é esperado para recebimento até o final deste mês. A quantia paga corresponde à primeira parcela do Programa de Fortalecimento do Serviço Público e do Programa de Mobilidade, assim como os valores pertinentes aos projetos de segurança hídrica e ao ressarcimento de gastos públicos.
O acordo não impacta ou impossibilita o prosseguimento das ações judiciais individuais que eventualmente estejam em andamento ou as que podem ser futuramente ajuizadas, assim como o processo criminal em relação às vítimas.
*Estagiária sob supervisão de Sara Lira *Com informações de Agência Minas














