
O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou sua estratégia de prevenção contra o Papilomavírus Humano (HPV) e passou a recomendar a vacinação para mulheres que já foram tratadas por lesões no colo do útero. A nova diretriz inclui esse público como grupo prioritário e reforça o combate ao câncer do colo do útero no país.
A orientação contempla mulheres diagnosticadas com lesões classificadas como Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau (NIC 2 e NIC 3) ou adenocarcinoma in situ (AIS), que tenham passado por procedimentos no colo do útero. A vacinação é indicada independentemente da idade e deve ser realizada, preferencialmente, no mesmo ano do tratamento — podendo ocorrer no período perioperatório ou em até 12 meses após o procedimento.
O esquema vacinal recomendado é de três doses: a segunda aplicação deve ocorrer dois meses após a primeira, e a terceira, seis meses após a dose inicial. A medida não apenas amplia a proteção contra o vírus, como também reduz o risco de recorrência das lesões, diminui a necessidade de novas intervenções e evita complicações futuras, fortalecendo o cuidado integral à saúde da mulher.
Em Betim, as doses estarão disponíveis nas 41 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para receber a vacina, é necessário apresentar prescrição médica e documentação com o diagnóstico correspondente (CID para NIC 2, NIC 3 ou AIS).
A decisão foi tomada após քննարկões técnicas envolvendo o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (INCA), sociedades médicas, instituições científicas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), além de representantes dos conselhos nacionais de secretários estaduais e municipais de saúde.
As lesões NIC 2 e NIC 3 são alterações celulares causadas pela infecção persistente pelo HPV e apresentam maior risco de evoluir para câncer quando não tratadas. Já o adenocarcinoma in situ (AIS) é considerado uma lesão pré-cancerígena associada ao vírus. Essas condições atingem, principalmente, mulheres em idade reprodutiva e, na maioria dos casos, são tratadas por meio de procedimentos cirúrgicos.
A infecção pelo HPV é um problema de saúde pública global, devido à sua alta prevalência e à relação com diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, pênis, vulva, vagina, canal anal e orofaringe, além de verrugas anogenitais. Estimativas mundiais indicam cerca de 570 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano e aproximadamente 311 mil mortes relacionadas à doença.
No Brasil, dados do INCA apontam que o câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres e a quarta principal causa de morte por câncer na população feminina, com cerca de 17 mil novos casos e aproximadamente 7 mil óbitos anuais. Os tipos 16 e 18 do HPV são responsáveis por cerca de 71% dos casos.
Com a ampliação da estratégia, o SUS fortalece a integração entre prevenção e tratamento, consolidando a vacinação contra o HPV como uma das principais ferramentas para reduzir a incidência e a mortalidade por câncer do colo do útero no país.
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