
Sob o lema “A rua convoca, a urna confirma”, a celebração coloriu o coração de São Paulo com mensagens de resistência, arte e um alerta urgente sobre a importância da representatividade política.
A Avenida Paulista transformou-se, mais uma vez, em um mar de cores, vibração e resistência. Celebrando três décadas de história, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu uma multidão que, entre fantasias elaboradas e o ritmo dos leques, trouxe um debate central para as ruas este ano: o impacto do voto na garantia de direitos.
Arte e Resistência nas Ruas:
Antes mesmo dos 14 trios elétricos iniciarem o percurso em direção à Praça da República, o público aproveitou para registrar momentos com figuras icônicas do movimento. A DragZonna, uma das artistas mais requisitadas para fotos, destacou o papel político da celebração.
“Queremos mostrar nossa resistência e força criativa. Nossa existência está sempre ameaçada e podemos perder direitos a qualquer momento. Precisamos nos unir para escolher representantes que realmente lutem por nós no Congresso e no governo”, afirmou a artista.

A diversidade também se manifestou de formas inusitadas, como a presença da cadelinha Mel Radical. Sua tutora, a recepcionista Rafaela, frequenta o evento desde 2019 e reforçou que, mesmo não sendo parte da comunidade, faz questão de demonstrar apoio. “Amo as drags e os gays; são as pessoas que mais me respeitam. Por isso, temos que votar com consciência, pois essas pessoas podem ser muito prejudicadas dependendo de nossas escolhas”, alertou.
O Voto como Protagonista:

O grande símbolo da edição foi a “Votinho”, uma urna eletrônica gigante posicionada em destaque na Avenida Paulista. A instalação serviu como um lembrete visual do tema deste ano: “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”.
A política também apareceu nos figurinos. O assistente jurídico Wesley Araújo, de 29 anos, chamou a atenção ao desfilar de terno e faixa presidencial, utilizando as cores da bandeira do Brasil. “Vim assim para representar que nós também podemos chegar lá. Mas o presidente sozinho não faz nada; precisamos pensar com cuidado em quem elegemos para deputados e vereadores”, explicou.
Já o cuidador de idosos Maurício José de Santana, de 61 anos, vestiu a camisa da seleção brasileira para resgatar os símbolos nacionais. Apesar do clima festivo, ele expressou preocupação com o futuro: “Essa pode ser a última Parada da nossa vida, dependendo do resultado das urnas. Foram 30 anos de conquistas que não podemos deixar retroceder.”
Estrelas e Autoridades no Palco:
A festa contou com um line-up de peso, incluindo nomes como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Pepita, e Thiago Pantaleão, entre outros. Além das atrações musicais, o evento registrou a presença institucional da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, reforçando o diálogo entre o movimento social e o poder público.
A caminhada, que teve início na Paulista, seguiu durante toda a tarde, reafirmando que, para a comunidade LGBT+, a festa é indissociável da luta pela sobrevivência e pela cidadania plena.
Destaques do Evento:
-Tema: 30 Anos de Parada – Foco no voto consciente.
-Estrutura: 14 trios elétricos com artistas nacionais.
-Símbolo: Urna gigante “Votinho” na Avenida Paulista.
-Mensagem: Recuperação dos símbolos nacionais (verde e amarelo) pela comunidade.
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