
O cinema brasileiro volta a viver clima de decisão às vésperas do Globo de Ouro, cuja cerimônia acontece no próximo domingo (11), em Los Angeles. A 83ª edição da premiação consolida um movimento iniciado no ano passado, quando a vitória de Fernanda Torres como Melhor Atriz por Ainda Estou Aqui recolocou o audiovisual nacional no centro das atenções internacionais.
Em 2026, esse protagonismo ganha novo impulso com O Agente Secreto, principal representante do Brasil na disputa, com três indicações: melhor filme de drama, melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama. Trata-se de um feito inédito: é a primeira vez que uma produção brasileira concorre na principal categoria de drama do Globo de Ouro.
Estrelado por Wagner Moura, o longa chega à premiação embalado por uma trajetória sólida na temporada internacional. Desde a estreia premiada no Festival de Cannes, em 2025, o filme vem acumulando reconhecimentos, críticas positivas e forte circulação em festivais, salas comerciais e eventos voltados aos votantes. O destaque mais recente foi a vitória inédita do Brasil no Critics Choice Awards de melhor filme internacional.
O bom desempenho também fortalece a candidatura individual de Wagner Moura. Publicações especializadas, como a revista Vanity Fair, passaram a apontar o ator entre os favoritos, ressaltando a força de sua atuação em português após mais de uma década dedicada majoritariamente a produções internacionais.
No Globo de Ouro, a separação das categorias de atuação entre drama e comédia ou musical muda o cenário da disputa. Moura não concorre com nomes como Timothée Chalamet e Leonardo DiCaprio, que estão em outra categoria, e enfrenta atores como Michael B. Jordan e Dwayne Johnson, em uma competição considerada aberta.
Além do mérito artístico, o perfil do Globo de Ouro pode favorecer produções internacionais. Diferentemente de outras premiações dominadas por críticos norte-americanos, o evento reúne 334 votantes de 85 países. Nesse contexto, a presença constante do diretor Kleber Mendonça Filho e da equipe do filme em debates, sessões especiais e encontros com eleitores tem sido estratégica.
A concorrência, porém, é forte. Em melhor filme em língua não inglesa, O Agente Secreto disputa com títulos como Os Excelentes, Foi Apenas um Acidente, Valor Sentimental, Cirate – A Voz de Rindi Rásda e A Única Saída. Já em melhor filme de drama, enfrenta produções de grande orçamento e visibilidade, como Frankenstein, Hamnet, Pecadores e Sarraf.
O otimismo se sustenta na trajetória recente. Com o prêmio do Critics Choice, o longa conquistou o chamado “trifecta” da crítica norte-americana, ao vencer também os prêmios da National Society of Film Critics, do New York Film Critics Circle e da Los Angeles Film Critics Association. Ao todo, o filme soma 48 prêmios internacionais.
“O prêmio do Critics Choice deu ainda mais visibilidade a O Agente Secreto, que vem tendo uma carreira excelente nos cinemas dos Estados Unidos”, afirmou Kleber Mendonça Filho. Segundo o diretor, o reconhecimento amplia o debate sobre o cinema internacional em um momento político sensível nos EUA, em que produções estrangeiras ganham espaço nas discussões culturais.
No circuito comercial, os números reforçam o impacto do longa. Em sua nona semana em cartaz no Brasil, o filme já ultrapassou 1,1 milhão de espectadores. Na França, o público se aproxima de 300 mil pessoas, e há estreias previstas para o fim de janeiro na Itália e na Espanha, além de lançamentos no Reino Unido e na Irlanda em fevereiro.
A agenda internacional segue intensa. Além do Globo de Ouro, O Agente Secreto concorre ao prêmio de melhor filme internacional no Independent Spirit Awards, está entre os indicados ao Lumières, da crítica francesa, como melhor coprodução internacional, e integra a shortlist do Oscar nas categorias de melhor filme internacional e elenco. As indicações finais ao Oscar serão anunciadas no dia 22 de janeiro.
Divulgação/ Agência Brasil. Reproduçnao/ Gira Notícias














