
Crime aconteceu em 2017. Estabelecimento deverá pagar à vítima R$ 20 mil
Uma mulher deverá ser indenizada em R$ 20 mil por danos morais, após ter sofrido um assalto dentro do Monte Carmo Shopping, em Betim. A decisão é da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
De acordo com o órgão, a vítima relatou que o crime aconteceu no dia 18 de setembro de 2017, por volta das 22h, quando ela deixava o trabalho. Ela foi rendida por três assaltantes quando entrava em um elevador e teve seus pertences roubados. A consumidora afirmou que foi agredida fisicamente e ameaçada de morte pelo trio, não tendo recebido, após o episódio, qualquer tipo de auxílio por parte do centro de compras.
Na Justiça, a vítima pediu que o estabelecimento fosse condenado a indenizá-la por danos morais, sustentando que houve falha em garantir a segurança de seus frequentadores.
Em sua defesa, o shopping declarou que não teve qualquer responsabilidade pelos fatos narrados. Os danos que a mulher alegou ter sofrido teriam sido decorrentes de um problema de segurança pública.
Sustentou ainda que prestou todo o auxílio para amenizar os transtornos, e que o crime ocorreu fora de suas dependências.
Em primeira instância, a 3ª Vara Cível da Comarca de Betim condenou o shopping a pagar à mulher R$ 10 mil, por danos morais. Diante da sentença, a autora da ação recorreu, pedindo o aumento da indenização.
O relator, desembargador Luciano Pinto, observou que o caso deveria ser discutido à luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que, em seu artigo 14, impõe ao fornecedor a responsabilidade objetiva.
Citando ainda outros trechos do CDC, o relator ressaltou que o shopping não recorreu da decisão que o responsabilizou por não ter oferecido segurança suficiente na prestação do serviço.
Assim, continuou o magistrado, a questão estava em avaliar o valor fixado para o dano moral. Nesse aspecto, as provas juntadas aos autos indicavam que, além da perda de bens materiais, a mulher havia sofrido danos físicos, o que foi confirmado por perícia.
O laudo pericial, observou o relator, descrevia que a vítima apresentava feridas na mão, dedos e braço, causadas por “instrumento cortante”, além de escoriações diversas.
“Aos danos físicos sofridos pela autora, sobrevieram danos de natureza psicológica e emocional, haja vista que é razoável reconhecer que eventos de tal natureza produzem em suas vítimas traumas e sentimentos de medo e insegurança, que podem perdurar por longo tempo (…)”, destacou o desembargador.
Tendo em vista as circunstâncias do caso, julgou necessário aumentar o valor da indenização para R$ 20 mil.
Com informações do TJMG.














