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Grupo suspeito de aplicar golpes pelo Whatsapp em MG e em outros 12 Estados, é preso pela PM

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Militar fazendo a contagem dos chips usados pela quadrilha. Imagem: PMMG
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A quadrilha movimentou a quantia aproximada de R$ 10 mil por dia útil, o que representa o prejuízo de cerca de R$ 1,8 milhão às vítimas

Sete pessoas foram presas preventivamente nesta quarta-feira (6/4), nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande (MT), suspeitas de integrarem um grupo criminoso especializado em golpes por meio do aplicativo Whatsapp.

Além das prisões, também foram cumpridos 14  mandados de busca, e decretada a indisponibilidade de R$ 1,8 milhão em bens e ativos dos investigados, para fins de futuro ressarcimento às vítimas.

A ação, denominada de “Operação Camaleão”, foi realizada pela Polícia Militar de Minas Gerais juntamente ao Ministério Público. De acordo com os órgãos, foram mais  de sete meses de trabalho feito pelo Serviço de Inteligência do MPMG e da PMMG para identificação dos autores.

O golpe

De acordo com as investigações, iniciadas em junho de 2021, uma organização criminosa foi constituída no Mato Grosso para aplicar golpes em vítimas de diversos estados do país. 

A organização dividia as funções de seus membros basicamente em dois núcleos. O núcleo operacional era responsável por obter dados das vítimas, habilitar chips de telefonia para uso exclusivo na aplicação de golpes, enviar mensagens de Whatsapp para as vítimas se fazendo passar por familiares delas e solicitar a transferência de valores para contas que indicavam, alegando tratar-se de situações urgentes.  

O núcleo financeiro, por sua vez, era responsável pelo fornecimento de contas bancárias e chaves PIX para serem indicadas às vítimas, pelo recebimento dos valores ganhos com os golpes e pelo seu rápido saque ou transferência, de modo a evitar a recuperação do prejuízo pelas vítimas e a garantir a distribuição do proveito ilícito entre os membros da organização.

Os indícios até o momento colhidos indicam que a organização criminosa movimentou a quantia aproximada de R$ 10 mil por dia útil, o que representa cerca de R$ 1,8 milhão de prejuízos ocasionados à diversas pessoas. Segundo apurado, muitos dos estelionatos consumados foram cometidos contra vítimas de Minas Gerais.

 Operação

A porta-voz da PMMG, major Layla Brunnela, afirma que a ação foi um trabalho intenso da Diretoria de Inteligência da instituição, e contou com nove policiais militares atuando especificamente no caso.

De acordo com a major, os trabalhos de Inteligência começaram a partir do cruzamento de dados de boletins de ocorrências. Foram mais de 10 mil horas de trabalho e 17 mil mensagens analisadas. “Uma operação interestadual que teve como objetivo combater quadrilhas que têm afligido não só a população mineira, mas todo país, e que teve cem por cento de sucesso, já que todos os alvos foram presos e uma série de equipamentos apreendidos”, destacou. 

“A operação também contou com o apoio do Comando de Aviação do Estado (Comave), da corporação”, finalizou.

O nome da operação (Camaleão) faz referência ao fato de os estelionatários se “camuflarem” para enganar as vítimas e mudarem constantemente de identidade utilizada no Whatsapp.

Crime de grande incidência 

 Conforme apurado pela Coordenadoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos (Coeciber), o crime de estelionato mediante fraude eletrônica por meio do aplicativo tem sido um dos delitos de maior incidência no país.

“Surgiram organizações criminosas especializadas na obtenção de dados pessoais e vínculos familiares, com consequente utilização para obter proveitos enganando parentes dos titulares dos dados através de mensagens pelo aplicativo Whatsapp”, explica o promotor Mauro Ellovich.  

Em novembro do ano passado, o  MPMG divulgou um levantamento com os registros de ocorrência desse crime em Minas.

*Estagiária sob supervisão de Sara Lira