
Com a chegada do verão, o Hospital João XXIII registra aumento nos atendimentos relacionados a intoxicações provocadas por animais peçonhentos. De acordo com a unidade, fatores como chuvas intensas, temperaturas elevadas e maior circulação de pessoas em áreas verdes contribuem para o crescimento desses casos, já que alteram os habitats naturais dos animais e ampliam o risco de contato com a população.
Dados do último ano apontam que foram registrados 4.239 atendimentos por acidentes com animais peçonhentos, sem considerar ocorrências envolvendo abelhas. Do total, 2.028 casos foram causados por escorpiões, 1.015 por aranhas, 751 por serpentes e 445 por lagartas.
Segundo o coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox-MG), Adebal de Andrade Filho, em situações de acidente a orientação inicial é manter a vítima calma e lavar o local atingido com água e sabão. Não é recomendado realizar torniquete, furar, espremer ou sugar a região afetada, nem oferecer alimentos ou bebidas.
A recomendação também é que, mantendo distância e segurança, seja feita a fotografia do animal, quando possível, registrando diferentes ângulos, como cabeça, cauda, dorso e parte ventral. As imagens auxiliam a equipe de saúde na identificação do animal e na definição do tratamento adequado em menor tempo.
Ainda conforme o especialista, não se deve tentar capturar ou acuá-lo. Em situações em que o animal represente risco ou esteja em ambiente doméstico, pode ser avaliada a necessidade de acionar o Corpo de Bombeiros Militar. A orientação é evitar qualquer exposição ao risco, principalmente em casos envolvendo enxames de abelhas ou serpentes.
Após o acidente, a vítima deve ser encaminhada o mais rápido possível à unidade de saúde mais próxima. No atendimento, os profissionais avaliam se o animal é peçonhento, iniciam o tratamento e, quando necessário, realizam o encaminhamento para unidades de maior complexidade.
O CIATox-MG integra o Serviço de Toxicologia do Hospital João XXIII e mantém atendimento telefônico 24 horas, oferecendo orientações a pacientes e profissionais de saúde de outras unidades sobre como proceder em casos de acidentes com animais peçonhentos ou intoxicações agudas.
Embora a incidência seja maior no verão, os acidentes podem ocorrer durante todo o ano. Um dos casos registrados envolveu uma criança de dez meses que foi picada por um escorpião no município de Moema. A criança recebeu atendimento inicial no hospital local, com orientação do CIATox-MG, e posteriormente foi encaminhada para unidades de maior complexidade, incluindo o Hospital João XXIII, onde concluiu o tratamento.














