
“Gata preta perdida. Ela tem um cortezinho na orelha e o rabo bem peludo. Dona inconsolável”. Esses dizeres foram colocados em uma faixa no mês de julho, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte mas era só mais uma entre várias na cidade. A busca por pets fujões é comum, assim como a dor que os donos sofrem por não saber o paradeiro de seus animais de estimação.
Imaginar que podem estar sofrendo privações, maus-tratos, ou mesmo, ter morrido atropelados, é uma angústia sem fim. E não é para menos. A ligação entre nós e os bichos é tão antiga que pesquisadores chegaram a encontrar a ossada de um cão em uma sepultura humana que datava de mais de sete mil anos. A descoberta se deu na Sibéria e tanto o animal quanto o homem haviam sido enterrados com os mesmos ritos funerários.
O sumiço de um pet é uma morte suspensa. Um luto não vivido. Em maio deste ano, a assistente em ciência e tecnologia Cláudia Marcia Alves Ferreira viveu 12 dias de pavor. Uma de suas gatas, a vira-lata Paixão, de 3 anos, desapareceu. O apartamento com janelas teladas, no bairro São Pedro, em BH, parecia à prova de fugas, mas não foi o suficiente. “No dia 28, senti falta dela em casa.
A única saída possível seria a porta da área de serviço que dá acesso às escadas. Provavelmente ela fugiu quando fui levar o lixo”. Após várias buscas em casa, Cláudia constatou que, de fato, a gata não estava lá. “A sensação que eu tive, de pensar em não mais encontrá-la, foi de medo, angústia, culpa e pânico”, diz. Arisca, não seria fácil localizá-la. Como de fato, não foi. Foram vários dias de procuras incessantes na região. Parentes, amigos, vizinhos, desconhecidos, todos eram avisados através de mensagens em grupos de WhatsApp e cartazes.
Por vezes, a dona saía às ruas chamando o seu nome. “Se ela ouvisse o som da minha voz, com certeza responderia.” Após noites sem dormir, enfim, o tormento acabou. Paixão foi encontrada em um prédio vizinho ao seu. Estava escondida embaixo de entulhos de uma reforma. “Quando chamei e ouvi o seu miadinho foi um dos melhores momentos da minha vida”, conta Cláudia.

- Estímulos fortes: fêmeas no cio e animais estranhos os instigando
- Fobias: especialmente a barulhos como fogos de artifícios
- Falta de socialização: animais adotados, com longo histórico nas ruas, tendem a tentar fugir por não estar acostumados a ficar presos em espaços restritos
- Apego ao tutor: a ansiedade de separação pode levar o animal a fugir para tentar ir ao encontro do dono
- Maus-tratos: animais que sofrem qualquer tipo de violência física ou psicológica
- Socialização do animal com pessoas e animais
- Passeios regulares para que pratiquem atividade física, queimem energia e aprendam como voltar para casa
- Coleira de identificação
- Castração
- No caso de gatos, telas em todas as janelas da casa
- Distribua cartazes e faixas na região
- Divulgue fotos e informações do pet nas redes sociais
- Informe amigos, parentes e familiares














