
Intoxicação é, supostamente, a principal causa da síndrome nefroneural
O número de pessoas com suspeita de intoxicação por dietilenoglicol em Minas Gerais já chega a 21. De acordo com o último balanço da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), quatro casos foram confirmados e os 17 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas com relato de exposição. A intoxicação é, supostamente, a causa da síndrome nefroneural, que provoca alterações neurológicas e insuficiência renal.
Quatro pessoas morreram. Um desses óbitos está entre os quatro casos em que foi confirmada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Trata-se de um homem, que esteve internado em hospital de Juiz de Fora e faleceu no dia 7 de janeiro.
Já os outros três casos de óbito estão entre os 17 casos em investigação. Trata-se de um homem, que faleceu no dia 15 de janeiro em Belo Horizonte; um homem, que morreu no dia 16 de janeiro e uma mulher, cuja morte foi em 28 de dezembro, em Pompéu.
Interdição
Com base nos resultados da análise pericial realizada pela Polícia Civil, a Vigilância Sanitária Estadual determinou a interdição cautelar dos lotes L1 1348 e L2 1348 da cerveja Backer Belorizontina. A interdição nacional dos mesmos lotes foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em decorrência das últimas evidências obtidas a recomendação vigente é de que, por precaução, nenhuma cerveja produzida pela Cervejaria Backer, independente de marca e lote, seja consumida.
A SES-MG orienta que, quem tenha em casa cervejas da Backer em casa, que não descarte, nem coloque no lixo comum. A recomendação é entregar esses produtos para as autoridades. Em Betim, os consumidores podem deixar na Vigilância Sanitária, localizada do Centro Administrativo de Betim. Em Belo Horizonte também há pontos de recebimento (clique aqui e confira).
A pasta criou um site onde reúne todas as informações sobre intoxicação por dietilenoglicol: www.saude.mg.gov.br/intoxicacaodeg.
Investigação policial
Em comunicado divulgado à imprensa, a Polícia Civil informou que, durante a segunda-feira (20), quatro testemunhas prestaram depoimentos na 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, localizada no bairro Estoril, região Oeste da capital. São familiares das vítimas – algumas hospitalizadas e uma falecida. O objetivo é entender sobre os acontecimentos que antecederam à intoxicação.
O delegado Flávio Grossi, que preside o inquérito, encaminhou à Justiça, o pedido para a exumação do corpo da mulher moradora de Pompéu. Ela teria sido a primeira vítima fatal da intoxicação.
Também na segunda, outras equipes da Polícia Civil estiveram na cervejaria para sanar dúvidas acerca da linha de produção. Mais amostras de cervejas foram recolhidas. Segundo a PC, a empresa tem colaborado com os trabalhos desde o início das investigações.
Paralelamente, as amostras recolhidas na semana passada, tanto da cervejaria, quanto da empresa química que vendia o monoetilenoglicol, continuam sendo analisadas pelas equipes de peritos do Instituto de Criminalística (IC), de forma criteriosa. Ainda não há previsão para a conclusão dos laudos.
Segundo a Polícia, o cidadão que tenha consumido o produto e se sinta prejudicado com a ingestão da bebida pode registrar um boletim de ocorrência em qualquer unidade policial. “Esse registro será apurado durante o trabalho investigativo, bem como verificada a viabilidade de inclusão de eventual vitima no inquérito policial”, informou.














