Home Notícias Cidade Betim registrou 269 casos de desaparecimento em 2018

Betim registrou 269 casos de desaparecimento em 2018

130
Versão em áudio
0:00 / 0:00

Neste sábado (30), há exatamente um ano, a missionária Elisângela de Jesus e o pastor Ivan de Jesus vivenciaram momentos de dor e desespero com o desaparecimento do filho – o pequeno Miguel Albino dos Santos de Jesus, que, na época, tinha 2 anos.

A família participava de um retiro espiritual, quando a criança se afastou do irmão mais velho e acabou ficando mais de 30 horas perdido em uma mata, na região do Parque das Indústrias. O caso comoveu os betinenses, mas teve um final feliz e, um ano depois, a equipe de reportagem de O Tempo Betim retornou à casa da família e encontrou o menino saudável e feliz, correndo e brincando com irmão na porta de casa.

Mas nem sempre esse é o desfecha da história de quem busca por um parente desaparecido. Conforme o Observatório de Segurança Pública Cidadã (Reds), órgão da Secretaria de Estado e Segurança Pública de Minas Gerais, só em 2018, 269 pessoas desapareceram em Betim. No Estado, de janeiro a outubro do ano passado, foram registrados 7.267 desaparecimentos e 4.854 localizações. Porém, a Polícia Civil não detalhou em qual situação essas pessoas foram encontradas – se vivas ou mortas.

Sem tirar o olho de Miguel e do outro filho, Elisângela contou que, depois do susto com a possibilidade de não ver o filho nunca mais, decidiu sair do trabalho e se dedicar exclusivamente aos cuidados com as crianças. “Fiquei com medo e, mesmo depois de tanto tempo, vez ou outra ainda passa o mesmo filme na cabeça. Acho que aguçou uma superproteção, inclusive, mas agora não o deixo sozinho nem mesmo dentro de casa, porque tivemos muita sorte e não quero passar por isso nunca mais”, afirmou a mulher.

Segundo o pai do menino, muitas coisas mudaram desde o episódio, mas Miguel conseguiu superar bem o trauma. “Ele até ganhou um acompanhamento psicológico, mas não chegamos a levá-lo. Hoje está bem, ficou com um pouco de medo de cachorro, mas não teve nenhuma sequela grave e nós só podemos agradecer. Sabemos que fomos privilegiados em reencontrá-lo. Muitas famílias têm que conviver com a dor do desaparecimento para sempre e isso deve ser muito difícil”, pontuou.

Desespero

Dentre àqueles que convivem diariamente com a angústia de não saber o paradeiro de um amigo ou familiar, a dona de casa Cecília Ramalho dos Santos, 44, mãe de duas filhas, ainda não perdeu a esperança de descobrir o que aconteceu com o marido, o metalúrgico Ronaldo Rosa dos Santos, 41. Ele desapareceu há um ano e três meses, depois de sair em um domingo, como tinha costume, para ir tomar uma cerveja em um bar, no bairro Angola.

De um jeito ou de outro, Cecília precisou reunir forças para seguir a vida e, entre os afazeres domésticos e as idas constantes ao IML e à delegacia em busca de respostas, ela precisa lidar com os questionamentos da filha mais nova, de dez anos, que ainda chora e questiona a ausência do pai. “É muito difícil tudo isso. Não tenho ideia do que aconteceu, mas meu marido não tinha inimizade com ninguém, não era usuário de droga e nem de medicamentos. Nossa malas estavam prontas para viajarmos em família e não acho que ele tenha ido embora. Ainda tenho muita esperança de encontrá-lo vivo ou pelo menos entender o que aconteceu”, desabafou.

O que a família deve fazer

Nos últimos anos, a Polícia Civil vem ressaltando que, ao contrário do que era divulgado antigamente, caso algum amigo ou familiar desapareça não é necessário aguardar 24h para realizar o registro em delegacias, unidades da Polícia Militar ou mesmo pela delegacia virtual – um portal que foi lançado em 2018, que conta com cartazes, notícias, orientações de como prevenir o desaparecimento, além de dicas para quem enfrenta a situação de ter um familiar nessa situação. Depois de fazer o registro, é importante ir até a Divisão Especializada de Referência a Pessoa Desaparecida, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, ou em delegacias regionais, para confeccionar o cartaz e autorizar o uso da imagem do desaparecido para divulgação.

Contatos

Quem quiser realizar um registro de desaparecimento ou dar informações à polícia pode entrar em contato pelo portal: www.desaparecidos.mg.gov.br ou pelo número 0800 2828 197, que atende todo o Estado.