Home Notícias Cidade Betim recebe exposição que reflete sobre a preservação das águas

Betim recebe exposição que reflete sobre a preservação das águas

2019
Reprodução/Assessoria de imprensa exposição Telegarrafas
Versão em áudio
0:00 / 0:00

Mostra teve origem em oficinas na região mineira e chega à Casa de Cultura Josephina Bento, em Betim. O projeto oferece ainda oficinas de telegarrafas para escolas do município.

Uma garrafa é jogada na água, levando uma mensagem urgente que conecta pessoas
situadas em distintos lugares do planeta. Esta é a ideia central de um projeto que tem unido crianças do Brasil, de Moçambique e de Portugal em torno da importante luta pela preservação das águas. Tudo começou em 2009, em São Gonçalo do Rio das Pedras, distrito de Serro, no Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais, a partir de oficinas com estudantes de uma escola pública. O projeto “Telegarrafas”, nascido aí, ganha agora uma exposição de mesmo nome na Casa de Cultura Josephina Bento, em Betim, além de levar oficinas de telegarrafas para escolas do município.

A exposição, que já passou pelo Palácio das Artes e Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, pode ser visitada de 01 a 29 de novembro, com entrada gratuita e classificação livre. A exposição “Telegarrafas” convida o público a entrar em contato com histórias de crianças e suas famílias, que convivem com as águas, com suas paisagens e com as ameaças que colocam em risco a vitalidade da natureza em seus territórios. A exposição é resultado de uma experiência proporcionada a partir de oficinas de escuta das águas e da produção de filmes educativos realizados com essas crianças.

Ao longo da visitação, serão apresentados elementos que compõem a beleza da identidade cultural das personagens, por meio de cartografias, painéis fotográficos, projeções e objetos relacionados à vida dessas crianças brasileiras, moçambicanas e portuguesas. As instalações percorrem as águas de comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas, entrando em contato com a memória de suas famílias, o registro do brincar livre nas águas e a intimidade com os rios. Os trabalhos expostos atravessam também o oceano, mostrando mais diversidade de vidas e a multiplicidade de relações com o mar.

A exposição “Telegarrafas” é realizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e tem Patrocínio Master do Grupo SADA.

Desaguando no futuro

O projeto transmídia “Telegarrafas” tem quatro etapas. Primeiro vieram as oficinas no
Vale do Jequitinhonha e nas outras localidades do Brasil e do exterior. A partir daí, foi criado o filme ficciona “A mensagem de Jequi”, que será lançado em 2025: nele é contada a história de uma criança quilombola (Kaique Santos Silva), que solta um barco no rio próximo à sua casa e, a partir daí, conecta-se com outras crianças do Vale do Jequitinhonha (MG), Serra do Mar (SP), de Portugal e do povo Chope, de Moçambique, reestabelecendo um vínculo com a sua própria ancestralidade. A terceira fase é a exposição na Casa de Cultura Josephina Bento. E depois, por fim, os resultados do intercâmbio e da produção cultural servirão de base para uma cartilha de educação climática com as mensagens escritas pelas crianças ao longo da exposição. Em 2025 também está previsto um livro infantil ilustrado com as histórias relacionadas às crianças do filme e participantes da mostra.

O idealizador do Instituto Mundos, Igor Amin, que é também curador da exposição – além de ser autor de algumas das obras, em conjunto com as crianças e artistas convidados –, relembra o início no projeto, no Vale do Jequitinhonha. “Eu estava realizando oficinas com as crianças da Escola Estadual Mestra Virgínia Reis, em busca de ouvi-las e identificar qual assunto era mais valioso para elas, caso pudéssemos criar instalações audiovisuais e filmes educativos juntos. A água foi o elemento central das nossas conversas. Me levaram ao Rio das Pedras e contaram que ele chegava lá no mar. Nasceu então a ideia desses estudantes trocarem mensagens (em vídeo) por meio de garrafas com outras crianças pelo Vale do Jequitinhonha e também pelo mundo. Hoje, essa experiência se tornou a primeira
edição da exposição, após uma longa jornada pelas águas das gerais, do Brasil e do
mundo. Eu vejo todo esse processo, para ficarmos no vocabulário relacionado às
águas, como um ciclo, que vem para reafirmar o direito das crianças conviverem com
as águas de seus territórios. Convido a todos e todas para navegarem por essas
mensagens e também deixarem as suas próprias. Traga uma garrafa limpa para
reciclarmos e faça parte desta história”, conclama o curador.

Propostas artísticas múltiplas

Na mostra, haverá 6 coletoras feitas de madeira e plástico reciclável, com suporte para
tablets exibindo imagens das crianças em brincadeiras do dia a dia. Ao lado das coletoras, diversas garrafas, blocos de papel e canetas para que os espectadores deixem mensagens poéticas – em textos, desenhos ou pinturas – sobre o quão importante é a garantia do direito das crianças e das águas coexistirem em harmonia.

Algumas das mensagens deixadas na Casa de Cultura Josephina Bento poderão ser expostas no próprio espaço, assim como os recipientes plásticos trazidos pelo público serão estocados em uma bolsa para reciclagem ou reaproveitamento em oficinas de criação de “telegarrafas” nas escolas de diversos territórios que o projeto percorre e em novas instalações artísticas. Esta dinâmica de interação com o público da mostra traduz as principais temáticas que guiam a proposta curatorial: educação climática, infâncias e reciclagem.

A exposição traz ainda impressões em cianotipia das seis crianças, mostrando os artistas e seus modos de vida e de barcos de brinquedo aludindo à infância e à relação com as águas.

Um acervo de Telegarrafas também estará exposto. São garrafas criadas em oficinas ou por artistas convidados a ressignificarem garrafas de plástico, vidro, madeira, barro, entre outros.

O zootropio d’água, criado pelo inglês William George Horner no século XIX e considerado um dos primeiros dispositivos de animação, conecta o público ao princípio do cinema e as primeiras invenções.

Por fim, uma embarcação em tamanho real (com cerca de 5,5 metros), feita com madeira e garrafa, convida o público a se sentar e navegar junto às crianças protagonistas, de forma interativa e criativa. No telebarco, terá ainda uma projeção mapeada com imagens dos ambientes que remetem aos territórios originários dos envolvidos.

Sobre o Instituto Mundos

É uma empresa social focada no desenvolvimento de projetos de educação, audiovisual e da natureza. Seu idealizador, Igor Amin, fundou em 2006 a comunidade de educação audiovisual “O que queremos para o mundo?” https://oquequeremosparaomundo.com.br/, intencionada a ensinar e aprender com as crianças de forma engajada, para que possamos transformar as telas em um ambiente amigável para todos.