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Aglomeração no Carnaval preocupa após confirmação de caso de sarampo em Betim

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Faltando quatro dias para o Carnaval, quem não se vacinou contra o sarampo deve redobrar a atenção. Após receber a imunização, o organismo já começa a criar anticorpos contra o vírus, mas a proteção plena varia em cada pessoa, podendo demorar uma ou até duas semanas. Mesmo assim, especialistas e autoridades em saúde recomendam a blindagem imediata, já que a enfermidade é altamente contagiosa e pode matar. O alerta é ainda maior após a confirmação de um caso, ontem, no Estado.

Em BH, 17% das crianças de 1 ano estão sem a imunização. Para os demais moradores com até 49 anos, a cobertura está entre 80% e 85% – números absolutos não foram informados. A meta preconizada pelo Ministério da Saúde é 95%. Em Minas, são 8 milhões de pessoas sem as doses necessárias.

O risco diante da chegada da festa de Momo se deve à aglomeração de foliões. Na metrópole, a expectativa é de que o evento bata recordes de público, reunindo milhares de turistas de outros estados e países.

“O sarampo é de transmissão respiratória. Como vamos ter um volume muito grande de pessoas vindo para Belo Horizonte para participar da folia, aumentam as chances de contágio”, afirma a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da PBH, Lúcia Paixão.

Uma das preocupações, diz a gestora, é com os que vão trabalhar no evento. “Em especial, os que terão contato com turistas, como motoristas de táxi e aplicativos, quem atua em hotelaria, restaurantes, bares e, inclusive, os ambulantes”, afirma Lúcia Paixão.

A apreensão com o Carnaval também é destacada pelo pediatra Juarez Cunha, membro da Sociedade Brasileira de Imunizações. “É um período em que as pessoas circulam de vários lugares. A cidade será um atrativo aos turistas, até estrangeiros, que podem trazer o vírus para dentro do Estado”, alerta o especialista.

A corrida contra o tempo para quem não recebeu a dose é reforçada pelo médico Antônio Carlos Toledo, vice-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia. “Para você desenvolver anticorpos no nível ideal são necessários de sete a dez dias. Então, nós estamos no limite. Se a pessoa for exposta (ao vírus) mais ao final do Carnaval, ela está protegida”.

Confirmação

A confirmação de sarampo em um paciente que mora em Betim, na Grande BH, foi feita pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). O italiano, de 29, teria adquirido a doença na Europa. Há seis anos, casos da enfermidade não eram registrados em Minas.

Após a notificação da suspeita, em 22 de janeiro, a SES e a Secretaria Municipal de Saúde de Betim adotaram o bloqueio vacinal nos ambientes em que o homem esteve, como o hospital, a residência e a empresa em que trabalha.

Ainda segundo a secretaria estadual, há doses disponíveis contra o sarampo em todos os postos de saúde do território mineiro. Pessoas sem o cartão de vacina, e que estejam nas faixas etárias indicadas, devem procurar os centros públicos. Na dúvida, a recomendação dos médicos é se imunizar.