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Medicamento desenvolvido por cientistas brasileiros reacende esperança de cura para vítimas de trauma na coluna

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Reprodução/ Redação. Foto: Montagem IA
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A rotina da professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), era marcada por dias silenciosos no laboratório e estudos pouco conhecidos fora do meio científico. Isso mudou no início de setembro, quando seu nome ganhou projeção nacional após a divulgação de pesquisas sobre a polilaminina, uma proteína com potencial para estimular a regeneração de neurônios em casos de lesão medular.

Extraída da placenta e desenvolvida em laboratório, a polilaminina pode induzir o crescimento de novos axônios — estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos — trazendo esperança para pacientes com paraplegia e tetraplegia. Um dos casos mais emblemáticos é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que recuperou os movimentos após sofrer tetraplegia em um acidente de carro. Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que a resposta ao tratamento varia de paciente para paciente.

Por ser uma proteína, e não um organismo vivo como as células-tronco, a polilaminina apresenta menor risco de rejeição e não exige o uso de imunossupressores. A expectativa é que ela seja aplicada logo após o trauma, durante a cirurgia. Em testes iniciais, seis dos oito voluntários apresentaram melhora significativa.

No Brasil, estima-se cerca de 8,4 mil novos casos de trauma raquimedular por ano, principalmente em homens vítimas de acidentes de trânsito. O laboratório Cristália, responsável pela patente e pelo desenvolvimento do medicamento, aguarda autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 dos estudos clínicos, que deve envolver mais cinco pacientes. Essa etapa é essencial para que o tratamento possa ser disponibilizado no sistema de saúde e pode levar, no mínimo, três anos.

Apesar da recente visibilidade, Tatiana afirma não ter buscado fama. Professora da UFRJ há décadas, com pós-doutorados nos Estados Unidos e na Alemanha, ela sempre dedicou a vida à pesquisa e à formação de novos cientistas. À frente de uma equipe multidisciplinar, defende a diversidade no ambiente científico como fator de enriquecimento da pesquisa.

Reconhecida pela comunidade acadêmica, a descoberta da polilaminina é considerada um avanço significativo na medicina regenerativa. Para Tatiana, ver a ciência ultrapassar os limites do laboratório e impactar vidas reais é a maior recompensa de sua trajetória.

Reprodução/ Redação       Foto: Montagem IA

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