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Carnaval de BH bate recorde de foliões, mas enfrenta o desafio de conter a violência

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Recorde de público, respeito às mulheres, celebração da diversidade e acolhimento a um sem número de visitantes. O Carnaval de Belo Horizonte foi grandioso e chegou a fim provando porque já faz parte do calendário das grandes folias Brasil afora. A festa, porém, foi manchada por casos isolados de violência.

Um balanço parcial da Polícia Militar, divulgado na segunda-feira (4), dava conta de que os crimes violentos haviam caído pela metade em Minas Gerais com relação ao Carnaval de 2018. Contudo, nos últimos quatro dias, a corporação teve que atender a diversas ocorrências.

Na madrugada desta quarta-feira (6), um homem morreu após ser roubado na avenida Afonso Pena, no Centro da capital. Ele caiu e bateu da cabeça. Os suspeitos fugiram levando a carteira e o celular da vítima. Na Praça da Estação, na noite de terça-feira (5), uma mulher foi encontrada desacordada. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. A causa do óbito segue desconhecida e será revelada somente após o trabalho da perícia. Mas uma das suspeitas é de que ela tenha tido um coma alcoólico ou tenha sofrido um mal súbito.

No dia anterior, dois turistas franceses foram esfaqueados na avenida dos Andradas, também no Centro de BH. Eles receberam golpes nas costas e tórax durante uma tentativa de assalto. A Savassi também registrou cenas de violência. Três pessoas foram baleadas na noite de domingo (4) em três ocorrências diferentes. De todos os casos, nenhum suspeito foi localizado e preso.

Mas nem as desagradáveis surpresas com ocorrências graves de violência e o já esperado transtorno com a falta de banheiros químicos foram capazes de tirar o brilho da festa.

Foliões elogiam a diversidade de ritmos, estilos e bandeiras dos blocos

Festa nas ruas

Os 4,6 milhões de foliões esperados marcaram presença nas ruas, segundo a Belotur. Um marco que, há cinco anos, seria impensável para a metrópole. Teve morador, gente do interior, turistas brasileiros e até estrangeiros.

Em praticamente todas as regiões da cidade era possível encontrar quem se divertia em blocos de pequeno ou grande porte. Tudo isso embalado por uma pluralidade de ritmos, estilos e bandeiras que tornaram BH mais pulsante.

A estudante Marina Braga Mota, que completou a maioridade no último dia de festa, conta que o Carnaval foi o maior presente de aniversário que poderia receber. Ontem, ela iniciou a jornada logo pela manhã, no bloco Juventude Bronzeada, na avenida Assis Chateaubriand, no bairro Floresta, sem previsão para descansar.

“Tinha medo de ser assediada, mas não me senti ameaçada em nenhum momento por ninguém”, comemorou a jovem. “Só tenho a agradecer mesmo”, acrescentou Marina.

Originalidade

Baiana de Salvador, a psicóloga Miriam Moraes, de 25 anos, veio conhecer a folia belo-horizontina. Para ela, o Carnaval daqui se difere dos demais do país pela originalidade. A jovem conta que durante o reinado de Momo se impressionou com a capacidade dos bloquinhos de arrastar multidões pelas vias.

“Aqui não tem aquela coisa de correr atrás de um famoso, que fica em cima de um trio elétrico. São as próprias pessoas da cidade que fazem a festa acontecer. Além disso, você nunca se perde porque sai de um bloco e logo já cai em outro”, elogia Miriam.

Banheiros químicos

Presidente interino da Belotur, Gilberto Castro afirma os principais pontos do planejamento traçado foram cumpridos. Apesar do balanço positivo feito pela maioria da população, ele reconhece que melhorias são necessárias para os próximos anos.

Dentre as reclamações, as longas filas para os banheiros químicos e o desrespeito dos que urinam nas ruas, deixando sujeira e mau cheiro em muitos locais. “Esse é sempre um desafio porque são 1.200 quilômetros somando os trajetos dos blocos por toda a cidade. Vejo que falta um pouco de conscientização, mas queremos melhorar mais essa distribuição para 2020”, diz Castro.

Talita levou o filho Téo para curtir o desfile do Juventude Bronzeada

Reconhecimento

Para a estudante Talita Oliveira, de 19 anos, que ontem levou o filho Téo, de 1, para curtir a folia, a capital está de parabéns. Feliz por poder se divertir com a criança em meio à multidão, ela conta que o menino tem adorado o evento.

“Com exceção da falta de higiene de alguns que urinam no chão, não mudaria nada nesse Carnaval. Aliás, se melhorar estraga”, brinca Talita.