
A população do Brasil continua crescendo, mas em um ritmo cada vez menor — ao mesmo tempo em que o país passa por um acelerado processo de envelhecimento. Os dados são da Pnad Contínua 2025, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (17).
De acordo com o levantamento, o país atingiu 212,7 milhões de habitantes em 2025, com crescimento de apenas 0,39% em relação ao ano anterior. Desde 2021, o avanço populacional segue abaixo de 0,60% ao ano, confirmando a tendência de desaceleração.

–Crescimento em queda:
O ritmo de expansão da população vem diminuindo ao longo dos anos, refletindo mudanças no perfil demográfico e na taxa de natalidade.
-Mudança na estrutura etária:
A pesquisa mostra uma transformação clara na composição da população brasileira. Houve redução no número de pessoas com até 39 anos — grupo que encolheu 6,1% desde 2012. Em contrapartida, aumentou a participação das faixas etárias mais elevadas:
40 a 49 anos: de 13% para 15%
50 a 59 anos: de 10% para 11,8%
60 anos ou mais: de 11,3% para 16,6%
Essa mudança também aparece na pirâmide etária, que apresenta base mais estreita (menos jovens) e topo mais largo (mais idosos).

-Diferenças regionais:
As regiões Norte e Nordeste concentram maior proporção de jovens, enquanto Sudeste e Sul registram maior presença de idosos, reforçando desigualdades demográficas no país.
-Mudanças na autodeclaração racial:
O levantamento também aponta alterações na forma como os brasileiros se identificam:
População branca caiu de 46,4% (2012) para 42,6% (2025)
População preta subiu de 7,4% para 10,4%
–Mais pessoas morando sozinhas:
Outro destaque é o crescimento dos domicílios unipessoais, que passaram de 12,2% em 2012 para 19,7% em 2025. Apesar disso, o modelo familiar tradicional ainda é maioria, representando 65,6% dos lares.
-Mudanças na moradia:
Imóveis alugados cresceram e já representam 23,8%
Casas seguem predominantes (82,7%), mas perderam espaço para apartamentos (17,1%)
–Infraestrutura avança, mas desigualdades persistem:
O acesso a serviços básicos melhorou, porém ainda apresenta diferenças regionais:
Água encanada chega a 86,1% dos domicílios
Saneamento atende 71,4% das residências
Coleta de lixo alcança 86,9%
Energia elétrica está próxima da universalização
Mesmo assim, regiões como o Norte ainda enfrentam maiores dificuldades, especialmente em saneamento e abastecimento de água.
– Mais acesso a bens:
Também houve avanço no acesso a itens domésticos:
Geladeira: 98,4% dos lares
Máquina de lavar: 72,1%
Carro: 49,1%
Motocicleta: 26,2%
-Resumo
Os dados reforçam uma mudança estrutural no perfil da população brasileira, com menos crescimento, mais envelhecimento e transformações nos arranjos familiares e nas condições de moradia.
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