Home Notícias Nacional Polícia investiga outras vítimas de anestesista que estuprou mulher durante parto

Polícia investiga outras vítimas de anestesista que estuprou mulher durante parto

1409
Foto tirada por Giovanni no dia 10/7. Imagem: Redes sociais
Versão em áudio
0:00 / 0:00

A corporação ainda informou que irá analisar material biológico descartado pelo médico no dia do crime

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga outras possíveis vítimas do anestesista Giovanni Quintela Bezerra, preso em flagrante nesta segunda-feira (11/7) por estuprar uma gestante durante a cesariana no Hospital Estadual da Mulher, em São João de Meriti (RJ). A informação foi confirmada por meio de nota divulgada pela PC.

Ainda conforme a corporação, o material biológico descartado por Bezerra será periciado. A equipe médica recolheu a gaze do lixo da sala de cirurgia após desconfiarem do anestesista. Os sedativos utilizados por ele também foram apreendidos pela polícia. A suspeita é de que ele os aplicava em excesso nas mulheres.

O caso

Segundo a delegada responsável pelo caso, Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de São João de Meriti, as imagens feitas pela equipe de enfermagem mostram o médico em ato de sexo oral com a mulher desacordada por cerca de 10 minutos, enquanto a equipe faz a cirurgia, separada apenas pelo lençol azul, chamado de campo cirúrgico, colocado para isolar o local da cirurgia da parte superior do corpo da parturiente, impedindo contaminações.

“Foi estarrecedor ver as ações do investigado no vídeo. Nós aqui que temos uma certa experiência com atrocidades, com condutas muito graves, violentas, estamos há 21 anos trabalhando com crimes, nós ficamos estarrecidos, é inacreditável o que vimos, é gravíssimo. Ainda mais grave porque é um profissional que deveria estar cuidando do paciente, o paciente está nas mãos daquele profissional, totalmente vulnerável, num momento realmente importante da vida, tendo um filho, dentro do Hospital da Mulher, que é um centro de atendimento específico para mulheres”, disse a delegada.

Cena testemunhada

A delegada explicou que, na cirurgia anterior, uma integrante da equipe de enfermagem precisou verificar um bisturi e testemunhou a cena.

E acrescentou: “ontem, no dia 10, foram três cirurgias. Na segunda cirurgia houve um problema com o bisturi e ela [a integrante da equipe] teve que verificar que problema era aquele e, então, se deparou com o médico com o pênis exposto. Mas manteve a calma, como se não tivesse visto, e eles, para não ficar numa situação de uma pessoa só relatando, decidiram, em conjunto, tentar registrar imagens, tentar documentar as ações do investigado na outra cirurgia”.

Após a filmagem, a equipe comunicou a diretoria do hospital, que acionou a Polícia Civil. O médico foi preso em flagrante e será encaminhado para a audiência de custódia. Segundo a delegada, ele preferiu não se manifestar. O nome do médico preso não foi divulgado.

“O investigado não quis prestar declarações na sede policial, foi assistido por advogado e, orientado, preferiu não prestar declarações na delegacia, prestará em juízo. O tempo todo parecendo conformado, não demonstrou muita surpresa, não demonstrou arrependimento, não negou e não confessou, simplesmente acatando todos os procedimentos aqui da delegacia sem nada falar”, revelou a policial.

O médico foi indiciado e preso em flagrante por estupro de vulnerável, por conta da impossibilidade de defesa da vítima, crime que tem pena de oito a 15 anos de reclusão. A delegada disse, ainda, que já requisitou documentos ao hospital para verificar que remédios foram ministrados em outras pacientes atendidas pelo médico e se havia ou não a real necessidade de sedação nos casos.

Posicionamentos

A direção do HMulher, hospital onde tudo aconteceu, também abriu uma sindicância interna para apurar a atuação do anestesista e notificou o Cremerj. A direção da unidade está prestando todo apoio à vítima e à sua família.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, médico não é servidor do estado. Ele tem título de especialista em anestesiologia, CRM regular e prestava serviço há dois meses como pessoa jurídica para o HMulher, onde realizou quatro plantões.

O Conselho de Medicina do estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), repudiou o ato do médico e abriu um procedimento cautelar para suspensão imediata das atividades do de Giovanni, e afirmou que a medida foi tomada em caráter de urgência.

Ao tomar conhecimento do fato, o presidente do Conselho, Clovis Munhoz, o classificou como extremamente absurdo. “Em nome da diretoria e de todos os conselheiros, venho aqui expressar a nossa enorme revolta pelo acontecido”, destacou Clovis.

A polícia já está ouvindo novas testemunhas, entre equipe médica e familiares e o caso segue sendo investigado.