
Pacientes da rede privada também serão analisados
A partir do mês de junho, a pesquisa que avalia a circulação do coronavírus em Betim será ampliada. Agora, pacientes internados na rede privada também serão avaliados. De acordo com informações divulgadas pela prefeitura de Betim, serão incluídos aqueles internados no Hospital Unimed Betim.
O estudo iniciou em maio do ano passado e, até então só avaliava paciente na rede SUS do município. Além disso, as análises eram feitas somente em pacientes em estado grave. Agora, também vai abranger aqueles com sintomas leves e moderados.
“Tudo isso contribui para ampliarmos a leitura sobre o potencial e a direção de disseminação das variantes e, ainda, de sua evolução clínica”, explica a coordenadora da pesquisa, Ana Valesca Fernandes. Segundo ela, a inclusão desses participantes possibilitará o rastreamento e o monitoramento das cepas.
A pesquisa é feita em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De acordo com o professor da instituição, Renan Pedra, o estudo ainda contribui para a identificação de novas cepas ainda não codificadas.
“Conter a disseminação de um vírus dificulta sua mutação. A cada mutação, o vírus adquire características diferentes. O que difere a P1 do coronavírus das demais variantes, por exemplo, é a capacidade maior de invadir células do corpo humano. Isso favorece a evolução dos pacientes para formas graves da doença, porque o organismo é atacado por uma carga viral maior, num tempo menor”, salienta.
O secretário municipal de Saúde, Augusto Viana, ressalta a importância desse estudo para a vigilância epidemiológica em Betim. “A pesquisa nos mostrou que o potencial de transmissão da cepa P1, que surgiu em Manaus, é muito grande. Ela foi rastreada lá em novembro de 2020 e, em fevereiro deste ano, na cidade do Rio de Janeiro. Em março, as amostras colhidas aqui já continham essa variante. Isso significa que conseguimos identificar sua circulação em tempo real”, afirma.
Participantes da pesquisa
Ana Valesca explica que foram coletadas amostras de pessoas com idade entre 20 e 30 anos e entre 40 e 50 anos, de diferentes regiões de Betim, que precisaram ser atendidas em função do agravamento da covid-19.
“Os sintomas da doença tiveram início na primeira quinzena de março, coincidindo com o aumento do número de casos e de óbitos em Betim. De modo geral, tiveram tosse, febre e dor de garganta. Alguns também tiveram diarreia”.
A coordenadora afirma ainda que uma análise preliminar do quadro clínico dos pacientes mostra que há manifestação de sintomas diferentes daqueles registrados nos participantes da primeira fase da pesquisa, realizada de maio a dezembro de 2020.
“Os participantes da fase atual apresentam, de modo geral, febre, tosse e inflamação de garganta. Entre os da fase anterior, havia muitos sem sintomas e outros com perda de olfato. As análises continuarão sendo feitas, inclusive, sobre o desfecho de cada caso, ou seja, como cada paciente se recuperou e se algum evoluiu para óbito”.
Com informações da prefeitura de Betim.
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