
Com mais de 20 mil casos prováveis de dengue notificados desde janeiro, Betim registra um caso da doença a cada 1.194 habitantes. Nove das 25 mortes confirmadas no Estado por dengue foram registradas no município da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Para combater o surto, a Prefeitura de Betim abriu um centro de hidratação para pacientes com dengue, no bairro Espírito Santo, e passou a distribuir nas unidades de saúde um medicamento homeopático. De acordo com a Secretaria de Saúde do município, o medicamento Eupatorium perfoliatum CH30, preparado a partir de uma planta de mesmo nome, proporciona o alívio dos sintomas e diminui a duração da enfermidade, reduzindo os agravos da doença.
A homeopatia já havia sido usada em Betim em outros momentos de epidemia da doença. Dessa vez, os moradores da cidade podem ir a uma unidade de saúde com uma garrafa de água mineral lacrada e receber as doses corretas do medicamento homeopático.
Cada doente deverá tomar uma dose única de 5 ml da solução (uma colher de sopa) e poderá compartilhar o líquido com familiares e vizinhos. Quem ainda não teve a doença também pode tomar, desde que a dose seja respeitada. O tratamento está disponível apenas para os mais de 400 mil moradores do município e ainda não há um levantamento de quantas pessoas já teriam ingerido a água com a substância natural.
“O medicamento fortalece os mecanismos de defesa que o organismo tem, possibilitando um enfrentamento maior em relação à doença. Não existe tratamento para a dengue, mas podemos amenizar os sintomas como dor e risco de hemorragia”, afirma Camila Campos, enfermeira e referência técnica das Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria Municipal de Saúde de Betim.
Segundo ela, pelos relatos de pacientes colhidos atualmente e em outros momentos de enfrentamento à dengue, verificou-se uma menor necessidade da hidratação venosa e diminuição do período de coceira e das náuseas. “A resposta ao medicamento é individual, mas percebemos que o uso da homeopatia diminui a morbidade e a procura pelos serviços de saúde, já que menos pessoas precisam de hidratação venosa”, explica.
A homeopatia é uma das 29 Práticas Integrativas e Complementares (PICs) oferecidas pelo SUS – que contemplam também aromaterapia, quiropraxia, acupuntura, entre outros. A Secretaria de Estado de Saúde foi procurada para comentar o uso da homeopatia no tratamento de pacientes com dengue em Betim, mas preferiu não comentar o assunto. “Betim é um município de gestão plena, ou seja, é o próprio responsável por gerir e executar as ações de saúde realizadas”, afirmou a pasta.
Professora dos cursos de saúde das Faculdades Kennedy e Promove, a farmacêutica Nayara Medeiros explica que a homeopatia é uma ciência com tratamentos eficazes. Mas deve ser muito bem associada ao tratamento médico tradicional (alopatia). “Caso você esteja utilizando um medicamento natural ou um chá, deve avisar ao médico, para que não haja piora no quadro clínico”, diz a farmacêutica, lembrando que o paciente deve respeitar a dosagem e intervalos ao ingerir medicamentos homeopáticos.
O mais importante, segundo ela, é que o paciente não deixe de lado o tratamento tradicional, com medicamentos alopáticos (analgésicos, anti-inflamatórios, anti-histamínicos), para utilizar apenas produtos naturais ou homeopáticos. “Não abandonem o tratamento medicamentoso de forma nenhuma. Você pode usar também os medicamentos fitoterápicos, homeopáticos e naturais, mas com acompanhamento especializado”, alerta Nayara.
Repelentes
Uma possível toxicidade dos repelentes presentes nas farmácias faz com que muitas pessoas evitem esses produtos, preferindo receitas caseiras para substituí-los. Nayara explica que as pessoas podem buscar opções mais naturais ou menos alergênicas. “Há opções mais naturais, à base de óleo de canela ou de citronela. Os repelentes de uso pediátrico são menos tóxicos, recomendados até para pessoas com algum tipo de dermatite”.
Segundo ela, até mesmo as pessoas que moram em apartamentos mais altos, onde a incidência de mosquitos é menor, devem se proteger. “Ninguém fica o tempo todo em casa. As pessoas saem para a rua e devem sempre se proteger com repelentes”, afirma Nayara, lembrando que até mesmo os bebês devem estar protegidos com repelentes.













